A Geórgia aderiu oficialmente ao CRS em 2024. Na prática, os bancos não pedem nem comprovante de endereço nem número de identificação fiscal, e até hoje não se observa um fluxo de dados confiável e utilizável.

A Geórgia é há anos um dos destinos mais procurados para abrir conta no exterior. Exigências baixas, atendimento em inglês, nenhum saldo mínimo na maioria dos bancos, abertura a cripto e juros atraentes sobre depósitos.
Em 2024, a Geórgia aderiu oficialmente ao Common Reporting Standard. E em 2026, quase dois anos depois, não se observa na prática um fluxo de dados utilizável: os bancos não pedem na abertura da conta nem comprovante de endereço nem número de identificação fiscal, e sem esses dados simplesmente não há nada de útil para reportar.
Essa é a janela.
Ela não muda nada na sua obrigação de declarar. Mas significa que é você quem precisa informar a conta ativamente na sua declaração, em vez de contar que ela seja reportada automaticamente.
A Geórgia trabalhou de forma sistemática, nos últimos anos, no seu papel de centro bancário internacional. O sistema bancário é estável, bem regulado e tecnologicamente atualizado. Inglês é padrão em todas as instituições maiores. Depósitos a prazo em lari georgiano rendem na prática cerca de 6 a 10% ao ano, em dólar de 1 a 4% e em euro até 2,5% (taxas efetivas segundo o Banco Nacional da Geórgia, novembro de 2026).
Para quem trabalha com cripto, a Geórgia é especialmente interessante: vários bancos aceitam rendimentos de cripto como comprovação de renda e oferecem ao mesmo tempo acesso a corretagem, algo que fica cada vez mais difícil na Europa.
Existem dois caminhos:
Pessoalmente em Tbilisi: o caminho mais direto. Uma viagem curta a Tbilisi com o passaporte, e na maioria dos casos a conta fica aberta no mesmo dia. Sem saldo mínimo, sem tarifas, sem espera.
A distância, por procuração: para quem não quer ou não pode viajar, existe a procuração a um advogado local, que abre a conta em seu nome. Demora um pouco mais e exige documentos reconhecidos em cartório, mas funciona, e nós acompanhamos o processo.
Uma conta bancária georgiana costuma oferecer:
A garantia de depósitos cobre, desde abril de 2026, até 50.000 GEL por depositante e por banco (cerca de 17.000 EUR), e a partir de 1º de janeiro de 2027 até 100.000 GEL. O valor vale igualmente para todos os bancos georgianos, seja qual for a moeda do depósito. Para quantias maiores, o recomendável é dividir entre várias instituições.
A Geórgia formalizou a adesão ao CRS em 2024. No papel, isso quer dizer que a Geórgia reporta automaticamente os dados das contas aos países de residência dos titulares.
O ponto decisivo é a prática. Os bancos não coletam na abertura da conta nem comprovante de endereço nem número de identificação fiscal, e sem residência fiscal documentada e sem esse número não existe reporte utilizável. Um fluxo de dados confiável e utilizável não se observa até hoje.
Isso pode mudar. Pode acontecer no ano que vem ou daqui a três anos. Quem abre uma conta agora faz isso de olhos abertos para essa situação, sabendo que a janela é limitada, e declara os seus rendimentos corretamente de qualquer forma.
Isso não é carta branca. A sua obrigação de declarar no Brasil existe independentemente de a Geórgia reportar ou não: a conta entra na ficha de Bens e Direitos da DIRPF, e os rendimentos de aplicações no exterior são tributados a 15% na declaração anual pela Lei 14.754/2023. Quem informa a conta corretamente não tem nada a temer.
Quem considera a Geórgia deveria ter também a Armênia no radar: situação de partida parecida (adesão oficial ao CRS, aplicação prática em aberto), exigências de entrada parecidas, mas outro sistema bancário. Para um ambiente mais europeu, a Sérvia continua valendo a análise: fora da UE, bancos estáveis, fora do CRS.
A Geórgia é ideal para:
A Geórgia continua sendo em 2026 uma das portas de entrada mais atraentes para o banking internacional, justamente porque a adesão ao CRS está feita no papel, mas não chegou à prática dos bancos. Quem age enquanto a janela está aberta ganha uma vantagem, e declara os seus rendimentos corretamente de qualquer forma.
Para ir além: Abrir conta no exterior em 2026: o panorama completo